Futurália arranca hoje com cerca de 450 propostas de educação, formação e emprego.

Futurália arranca hoje com cerca de 450 propostas de educação, formação e emprego.

Está cada vez mais difícil encontrar emprego. Recentemente, a insatisfação atingiu o nível do protesto nas ruas e as soluções parecem cada vez mais escassas. Torna-se, assim, cada vez mais essencial escolher o curso certo, a carreira certa. É nesse sentido que se orienta a quarta edição da Futurália, feira de oferta educativa, formação e empregabilidade, que tem lugar de amanhã até sábado, na Feira Internacional de Lisboa (FIL).

Com o tema “Descobre o teu caminho”, este evento assume como uma das suas apostas cultivar uma maior cultura de risco nos novos profissionais. “Pretende-se encorajar os jovens e as demais pessoas que visitam a Futurália, a privilegiar os caminhos da mobilidade nacional e internacional, a apostarem na formação a vários níveis, a embrenharem-se na iniciativa individual”, explica Leopoldo Guimarães, presidente da comissão consultiva da Futurália. “Torna-se fundamental assumir o risco, não ceder perante o insucesso, compreender que o que era ontem um caminho fechado poderá ser hoje uma oportunidade”.

Apesar das dificuldades que se têm vindo a sentir nos vários sectores da economia portuguesa, incluindo o da formação e do ensino, a organização do evento conta com uma boa adesão. “Sabemos que o momento vivido na economia global leva a alguns cortes e mudanças nos investimentos feitos pelas várias instituições ligadas ao Ensino. Contudo, e face a esta situação, conseguimos atingir as nossas expectativas”, acredita João Lourenço Vieira, director da área de feiras da FIL.

A organização conta, portanto, manter a boa adesão com que contou o ano passado. Em 2010, a Futurália cresceu 70% em visitantes face à edição anterior. Ao todo foram cerca de 64 mil visitantes, entre os quais se contavam mais de 31 mil alunos e 3.400 professores, representando 524 escolas de todo o país. Com cerca de 450 entidades confirmadas para esta edição – divididas entre instituição de ensino superior, formação avançada ou empresas de apoio à inserção na vida activa -, o mesmo número registado em 2010, as expectativas são elevadas.

“Apesar da situação económica vivida actualmente, levando a consequentes cortes nos investimentos ligados à comunicação, é de salientar, que a crise económica mundial não compromete, de maneira nenhuma, a representatividade das universidades que participam neste evento, tanto nacionais como estrangeiras, que assim mantém a qualidade na oferta global do ensino”, defende João Lourenço Vieira.

Encontrar um caminho
Sob a premissa de que com mais conhecimento sobre o que nos espera no futuro podemos evitar escolhas erradas que acabam por afectar toda a nossa carreira profissional, a Futurália assume como grande bandeira “mostrar aos jovens e a quem de alguma forma com eles partilha soluções de vida, que existem opções distintas na construção dos seus percursos de formação, fazendo isso de uma forma organizada e rigorosa”, realça Leopoldo Guimarães. “Será assim possível ajudá-los a tomar decisões que correspondam à sua própria visão de futuro, sem distorções nem imposições”.

Apesar de ainda não terem uma participação muito activa neste evento, Tiago Gonçalves, presidente da Associação Académica da Universidade de Lisboa, defende a importância deste tipo de iniciativas na promoção de uma maior proximidade entre os estudantes universitários e o mundo empresarial que os espera. “Esperamos que o sucesso destes eventos seja cada vez maior até pela oportunidade que é dada aos estudantes no mercado de trabalho. Louvamos este tipo de iniciativas que promovem o contacto entre os estudantes e o mercado de trabalho”, salienta.

Criar linhas de comunicação é a base essencial para melhorar as condições futuras dos jovens. Parece ser este o consenso. “É fundamental aproximar, criar pontes, desmistificar preconceitos. Tudo isto é informação que importa transmitir”, defende Ana Teixeira, da MRI Network. A especialista em recursos humanos salienta também que “é muito mais barato para as empresas procurar novos valores desta forma, especialmente quando estamos a lidar com candidatos activos, que trabalham proactivamente para conseguir um emprego”.

Dispersão no ensino superior não ajuda os estudantes
No programa da Futurália regista-se uma presença considerável de universidades e politécnicos, agentes fundamentais no traçar da carreira dos muitos jovens estudantes e novos profissionais, que se assumem como o principal alvo desta oferta em exposição. No entanto, critica Leopoldo Guimarães, “a enorme dispersão nas designações dos cursos professados no ensino superior não ajuda a uma escolha criteriosa. Não ajuda os estudantes, não ajuda os empregadores, não clarifica o sistema”. Para o professor universitário, é compreensível que se faça um esforço para apresentar ofertas curriculares mais atractivas, mas estas “não se deveriam desviar de dois objectivos que à primeira vista não coincidem porque têm efeitos temporais diferentes: o objectivo da resposta às solicitações do emprego (objectivo próximo) e a obrigação de preservarem o conhecimento científico e cultural (objectivo de longo termo)”.

Fonte: Económico / FUTURÁLIA

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